Ah, você tem filho…

Ontem, como todos sabem, foi o dia Internacional da Mulher, um dia onde geralmente só encontramos fotos bonitas com textos felizes.

Mas de um tempo pra cá, tem mudado um pouco esse cenário. quiquiqui.jpg

Pude perceber em diversas contas no instagram textos feministas, mensagem contra racismo, anti-bullying, ou seja, o que era pra ser um dia para homenagear as mulheres de uma forma delicida, as proprias mulheres levataram sua voz para os problemas que sofrem durando o resto do ano.

E ontem, parando para refletir sobre tudo que li e escutei, a gente relembra que, de uma forma ou de outra, mães já passaram por isso, independente de cor e classe social.

E comigo não foi diferente.

Quando eu era mais nova, uma das coisas que eu mais gostava de fazer era ir para os trabalho com meus pais.

Minha mãe, que dá aula em graduação, me deixava ir nos dias de prova e eu adorava ficar olhando os outros lá se esforçando pra acertar algo que pra ela é tão obvio.

E eu à olhava lá na frente da sala e me dava um orgulho imenso e me imaginava fazendo a mesma coisa.

Já o trabalho do meu pai, era um pouco mais emocionante, pois a gente precisava ir até Florianópolis para acompanhá-lo, e a “viagem” era um máximo!

Meu pai, em casa sempre foi uma pessoa muito divertida e que te sorri com todos os dentes, mas assim que ele entrava no tribunal, era um funcionário sério e que pra mim, que era pequena, dava a impressão que ele era alguma super autoridade.

E é claro que ele sentado na frente do computador escrevendo qualquer coisa me deixava admirada.

E assim, no dia 20 de setembro de 2014, quando eu descobri que estava grávida pela primeira vez, eu pensei comigo, eu vou fazer essa criança se orgulhar do trabalho que a mãe dela tem, da mesma forma que eu me orgulhava dos meus pais.

Eu sonhei diversas vezes com a imagem da minha filha desenhando roupas, brincando de escolher tecidos e aviamentos e até debatendo desfiles de moda. lalalla

E por mais que eu ame o meu trabalho e tenha virado Santa Catarina para conseguir chegar aonde cheguei, eu amo minha filha.

Então, quando eu finalmente coloquei a Sophia na escola com onze meses no Brasil, eu me aventurei novamente a ir para o mercado de trabalho e não medi distância para conseguir uma vaga, poderia ser Joinville, Jaraguá, Blumenau.

E toda aquela emoção, misturada com ansiedade foi desmoronando no momento da entrevista com o RH.

Eu, que sempre fui muito orgulhosa da família que formei, dos desafios que estava traçando, me vi diante de um problema.

Escutei que meu curriculo era ótimo, minha referências eram excelentes, mas eu tinha uma filha pequena.

E fizeram a seguinte pergunta:

E se por acaso acontecer algo com a Sophia, você vai pedir para ir embora mais cedo?

Você acha que consegue se dedicar ao trabalho com a cabeça em casa?

Por sorte, minha cabeça da época já era mais amadurecida, mas, confesso que já me pequei pensando algumas vezes se por ter tido uma filha, minha carreira profissional acabou.

Eu me vi colocando um dia comum de trabalho ao lado de um possível acidente com a minha filha e tendo que responder ainda para poder ser contratada. 188a72e82723c64104fbd6431a3a5cf6

Fico imaginando o poder que as empresas tem para fazer uma pessoa culpar uma criança da falta de sucesso profissional e sem se sentir culpadas disso, julgando ser apenas ser preguntas padrões.

Minhas filhas hoje, são minha fonte de inspirações e a minha energia para conseguir levantar cada dia mais forte e conseguir ir cada vez mais longe e eu realmente espero que nas próximas entrevistas consigam ver isso.

E eu espero, que no futuro, filhos sejam apenas mais uma informação no curriculo e não um problema que as empresas criam.

Meu filho (a) não fala a língua, e agora?

Quando chegamos na Itália, nem nós falavamos e isso não foi um problema.

Com certeza foi uma discusão antes de chegar aqui e muitas pessoas fizeram como nós, olharam os blogs de experiencias em viagens e se depararam com a seguinte informação:

“As crianças aprendem uma língua estrangeira mais rápido que um adulto”.

Grande ilusão.

Minha ideia é explicar nossa experiencia com a Sophia, que iniciou no asilo nido com dois anos e quatro meses, então, só nesse momento ela começou a ter a real noção que ninguém entendia ela e muito menos ela os outros.

Nós tivemos uma grande sorte na escolha da escola, pois frequenta essa instituição, apenas crianças de pais que trabalham na universidade da cidade.

E a faixa etária de idade não se estende muito, ou seja, aceitam crianças desde os quatro meses até os três anos.

Teve uma vez que quando buscamos a Sophia, a professora veio com uma cara de bastante dúvida, e nos perguntou:

– O que significa a palavra MAIS?

Ela comentou que a Sophia sempre usava quando pedia para repetir a comida.

Nesse momento tivemos a certeza de que a escola se esforçava para entender a Sophia, do mesmo jeito que nós preparamos a Sophia para entender a escola.

A Sophia não ganha uma atenção especial por ser de outro país, ela é tratada de forma igual as demais crianças, até porque, existe mais imigrantes na mesma turma, uma francesa e um paquistanes. Já imaginou a mistura?!

Em casa, foi uma escolha não abandonar o português, como é a língua de origem, e toda família fala em português, ela precisa saber se comunicar com todos.

Mas decidimos que algumas palavras que ela mais usa no dia-a-dia na escola iamos aplicar dentro de casa.

E foi uma surpresa, pois fomos comunicados pela escola que ela tem se desenvolvido melhor e foi perdendo um pouco da timidez.

 

POST VI

  • Começamos com as cores…

Giallo, Rosso, Verde, Rosa, Blu, Grigio, Nero, Bianco.

  • Depois, algumas comidas…

Pasta, pomodoro, zucca, zucchini, tè.

  • E os animais…

Cane, Asinello, Leone, Uccellino.

Essa foi a forma que nós encontramos de fazer ela se sentir inserida no mundo que ela vive agora.

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Claro, que ainda hoje, mesmo com seis meses de escola, ela dispersa na hora da leitura, mas nas brincadeiras, canções, hora das refeições, ela consegue expressar o que precisa.

E você leva um susto quando ela chega em casa e fala algo em italiano que você não ensinou, mas que ela aprendeu escutando sozinha.

Quando quer repedir as refeições, ela fala: ANCORA, e nesse momento você não sabe se chora de emoção ou coloca mais comida.

 

Não posso colocar a Sophia em uma escola e forçar que ela ame e fale italiano em uma semana, pois nos blog em que eu li, era assim que acontecia.

Cada criança tem seu tempo, cada língua tem sua dificuldade, e cada escola tem diversos tipos de alunos.

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Na idade da Sophia, as crianças agem bastante por assimilação, então ela copia bastante o que os outros fazem e vice-versa e isso faz com que disperte um interesse no outro, formando as amizades.

É preciso ter calma, estimular e mostrar que aprender a nova língua é preciso, mas ao mesmo tempo divertido, para não haver trauma.

E uma criança quando bem orientada no aprendizado do novo idioma, usam as novas palavras no dia-a-dia naturalmente e aí sim, “ensinam” para quem esta ao redor as expressões no idioma aprendido.

Um amor chamado Verona

Ciao!

Uma das cidades mais charmosas que já visitei na vida, com certeza foi Verona e eu tinha esse pensamento há 5 anos, quando à conheci pela primeira vez.

Naquele momento eu não imaginaria que 5 anos depois, teria um marido, duas filhas e que eu moraria a apenas umas hora e meia daquele lugar.

Bom, talvez eu me imaginasse com um marido, mas com o resto, foi uma incrível surpresa!

Verona foi nossa primeira tentativa em sair de trem com as meninas, aproveitamos que eu já conhecia e que é relativamente perto.

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Decidimos pelo trem, pois foi mais uma viagem decidida em cima da hora e também porque não vale alugar um carro para fazer um passeio tão perto, ainda mais que Verona é tudo muito próximo e o carro ficaria parado.

Vale dizer que o custo de Trento até lá é de apenas 14,60 euros ida e volta.

Sim, com apenas isso você consegue visitar uma cidade incrível e conhecer uma das maiores culturas da Itália.

Chegando na estação Porta Nuova em Verona, precisamos ainda comprar o passe de ônibus que nos deixa na Piazza Bra.

Como as meninas estavam dormindo nesse momento, resolvemos iniciar os passeios por locais que não precisasse mexer muito com elas, subir escadas, mexer demais com o carrinho.

Então, seguimos direto para a casa da Julieta.

Como todos sabem, Romeu e Julieta é uma das mais famosas histórias de amor, escrito por William Shakespare e Verona foi o cenário de toda essa trama.

Localizada na Via Capello, a casa, com entrada de 6 euros, remonta uma das cenas mais famosas do livro, na qual Julieta está na Sacada declamando seu amor por Romeu.

Além do mais, há uma superstição, que quem tocar o seio da estátua que está localizada do pátio terá felicidade no amor.

O local já foi repleto por bilhetes com grandes pedidos de amor, mas hoje foram substituidos por simples cadeados onde você pode escrever o nome da pessoa desejada.

Eu ainda tenho a foto do meu de 2012 e como não conhecia o Daniel, meu marido e nem tinha pretenção de escrever o nome de ninguém, escrevi apenas um pedido: amor verdadeiro.

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É tudo lenda, mas funcionou pra mim.

Como todo ponto turístico, estava lotado de pessoas, muitos brasileiros inclusive, resolvemos sair correndo e visitar o próximo local, a arena de Verona.

A idéia que eu tive ao ver de fora a Arena de Verona é que se tratava de um mini Coliseu.

Não que eu conheça o Coliseu, mas sei do seu tamanho, na verdade a Arena de Verona também foi construída pelos romanos, mais ou menos no mesmo período e também era cenário para os combates dos gladiadores, que começavam com o raiar do sol e terminavam tarde da noite.

Hoje a Arena é aberta a visitação e custa 10 euros por pessoa, e ainda bem que criança não paga, mas quando ela está fechada, é porque está se preparando para algum grande espetáculo que vai acontecer.

Estamos até com vontade de ir ver Sam Smith em maio, mas com as meninas seria impossível.

Alguma babá por Verona?! Brincadeira, não teria essa coragem toda.

Por sorte, tivemos a oportunidade de ver um coral cantando um pouco por lá e a sensação é única, é uma acústica que te prende, até as meninas pararam de correr para ouvir.

O resto do dia tiramos para passear sem rumo pela cidade e claro olhar as lojas que eu não encontro em Trento, Zara principalmente e depois finalmente voltar para casa.

Andar com duas meninas não é fácil, por isso nosso roteiro fica um pouco comprometido e precisamos muitas vezes sair do script para nos adequar ao humor e cansaço de cada um.

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Mas no final tudo da certo e como todo turísta, encantados com o que vimos.

Aqui embaixo, vou deixar os links de tudo que visitamos, inclusive o trem!

Bacio e arrivederci!

Trem: http://www.trenitalia.com/

Casa Julieta: http://casadigiulietta.comune.verona.it/nqcontent.cfm?a_id=42703

Arena: https://www.arena.it/arena/it

Segue também o endereço da Zara, caso queira dar uma passadinha: Via Mazzini, 18, 37121

 

Nosso primeiro grande passeio

Ciao,

Não existe tanto mistério quando se quer fazer passeios pela Itália com as crianças, na verdade, se programando você consegue fazer tudo reduzindo bastante o custo e não se preocupando com nada.

E era o que nós deveriamos fazer, mas algumas vezes deixamos detalhes pra cima da hora.

O Aquário de Gênova foi nosso primeiro grande passeio que tivemos por aqui, isso porque é longe e precisavamos dormir fora de casa.

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Apesar da Europa possuir trens e ônibus de boa qualidade, conforto e baixo custo para fazer passeios, optamos por alugar um carro. Acredito que com criança, imprevistos acontecem e contemplar a paisagem também era uma ideia nossa, já que possivelmente iriamos esticar o passeio pelo final de semana.

Então, o carro é a primeira coisa que devemos nos preocupar, olhar com antecedência  sempre é a melhor saída para conseguir carros grandes e baratos, já que temos um carrinho de bebê do tamanho de um ônibus.

Como Gênova fica à quase quatro horas de Trento, é preciso se preparar para ficar no banco de trás com duas crianças e aceitar que mudanças de humor, fome, cansaço vão acontecer.

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Assim é preciso levar alguns brinquedos chaves, que ocupe por um bom tempo a criança e com certeza um carregador de celular, pois quando elas não se interessam por mais nada, só um desenho pra acalmar.

A fome também bate muitas vezes fora do horário e preparar um lanchinho em casa e levar é melhor do que ficar parando na estrada.

Aqui na Itália você tem duas opções de estrada, a com pedágios, que são excelentes, rápidas e caras ou as que você passa por dentro de todas as cidades e demora horrores para chegar.

Se você não tem pressa, vale economizar nos pedágios e contemplar cada cidade por qual você passa, é uma cultura incrível cada uma.

FINALMENTE CHEGAMOS À GENOVA!

Mas não contávamos com a dificuldade para estacionar o carro.

Não sei se todo final de semana, mas aquele estava uma loucura, rodamos no mínimo uma hora até chegar a conclusão que iriamos parar mais longe e pegar um ônibus até o aquário.

Eu me contentei já com a entrada do Aquário que fica localizado na área costeira do píer de Gênova e é considerado o segundo maior da Europa, é uma vista maravilhosa, mas quando você entra, é literalmente outro mundo.

Para eviar filas, você pode comprar com antecedência pelo site do próprio Aquário, mas apesar do trânsito caótico, a fila para compra estava relativamente pequena e como sempre, crianças menores de três anos não pagam!

É encantador como eles conseguem recriar um tanque tão perfeitamente com embiente marinho de cada tipo de espécie e levar você para dentro daquele mundo.

Como são ambientes escuros, pensei que a Sophia e a Olivia fossem ficar assustadas, mas muito ao contrário, estavam atentas e curiosas a tudo que viam.

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O medo da Sophia veio só quando chegou na parte dos tubarões, onde eles fazem questão de passar muito perto do vidro, não tinha quem à fizesse ficar ao lado deles. Não é pra menos, eles são enormes.

E quando nós menos esperavamos havia uma parte de interação com as arraias, onde elas literalmente vêm na sua mão para receber “um carinho”, dá um certo medo, mas ter a oportunidade passar a mão em um animal marinho que só conheciamos em por fotos é com certeza uma experiência divertida, principalemente para a Sophia que não tirava a mão da água.

A melhor parte de longe foi o tanque dos golfinhos, onde todas as crianças se sentam em frente ao tanque ele os contemplam brincando com uma bola.

No meio do passeio, já cansados, resolvemos parar para tomar alguma coisa e eu, viciada no refrigerante, pedi um sem pensar em mais nada e no final acabei pagando 4 euros, claro que é o preço que se paga por só ter aquele restaurante, mas se você consegue segurar ou levar seu próprio, acaba economizando.

Como todo ponto turístico ao final você encontra uma loja de souvenir, se você for entrar e estiver com crinaça, se prepare para mexer na carteira, são brinquedos, fotos, lápis, acessórios, mas com certeza não são os mais baratos do mundo.

E como eu sei que gostaram? Foi um passeio que durou mais de duas horas, bem ho horário do soninho das duas e elas não dormiram um minuto sequer.

Fim de passeio, cansados, crianças finalmente dormindo e aquela dúvida, voltamos pra casa ou procuramos um hotel.

Sim, deixamos para ver o hotel em cima da hora.

Com nosso italiano meio enferrujado, acabando reservando um hotel caro sem querer e para cancelar foi um sufoco, mas deu tudo certo.

Como decidimos prosseguir viagem para Cinque Terre no dia seguinte, reservamos um hotel no caminho para lá, um quarto, duas camas de casal, sem luxo, sem ostentação nenhuma.

Bom, Cinque Terre fica para outro dia e se algum dia vierem para a Itália com as crianças ou sem elas, passe no Aquário de Gênova.

Vou deixar aqui embaixo os links de tudo que pesquisamos para essa viagem sair.

Espero que gostem, bacio!

 

Aquário de Gênova: https://www.acquariodigenova.it/pianifica-la-tua-visita/

Aluguel do carro: https://www.rentalcars.com/it/city/it/trento/

https://www.kayak.com/Cheap-Trento-Car-Rentals.24269.cars.ksp

(Sempre usamos esses dois sites que comparam preços)

Hotél: https://www.booking.com

Pedágios, rotas e combustíveis: https://www.viamichelin.com/

Sozinha com elas

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Existem alguns momentos em casa, em que a situação é de caos e que duas pessoas mal conseguem conter o terror.

Então imagine sozinha.

Logo que chegamos, tivemos pouco mais de um mês de adaptação antes que o trabalho do Daniel começasse.

Era uma corrida contra o relógio para eu o aproveitar em casa me ajudando com elas o dia todo.

Mas esse dia logo chegou e lá estava eu, me despedindo dele, com a Olivia nos braços e a Sophia na minha perna.

Como mal conhecia a cidade, busquei muito fazer programas com as crianças em casa e em praças mais próximas, já que cada uma têm um parquinho infantil.

Era férias de verão e eles estavam cheias de crianças, o que assustou um pouco a Sophia, mas foi uma questão de tempo para ela se acostumar com elas falando outra língua.

Foi o momento também em que pude conhecer alguns pais e analisar um pouco sobre o comportamento deles com as crianças.

Falo pais, porque muitas vezes quem acompanhava as crianças era o próprio pai e se não, a avó.

Os avós aqui são muito presente na vida dos netos, tiveram dias em que via uma só senhora cuidando de três crianças no parque.

Eu tinha muita vontade de fazer passeios mais longos com as meninas, mas não era muito corajosa a esse ponto, besteira minha, porque hoje vejo como é simples pegar um ônibus com as duas e em apenas 10 minutos estar no Museu da cidade, um lugar fantástico e cheio de interação para as crianças.

E se essa coragem fosse ainda um pouco maior, poderia pegar um trêm e ir à Verona, pouco mais de uma hora daqui e dar um passeio diferente.

Apesar de ser difícil de fazer esse tipo de passeio com as meninas, é preciso aproveitar elas ainda pequenas.

Aqui na Europa, crianças com menos de cinco anos não pagam ônibus, trêm e nem metro. Sonho né?

Sonho mesmo era a nossa hora do almoço, se tudo corresse como eu planejava, a idéia era sempre dar de mamar, depois dar comida pra Sophia e depois comer algo.

Mas essa ordem nem sempre dava certo.

Se moldar as necessidades das meninas sempre funcionava, então, eu comida muitas vezes as 11h ou 14h.

Minha sorte é que as comidas de preparo rápido daqui da Itália são excelentes!

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A Sophia sempre gostou muito de ver desenhos na televisão e eu não sou aquele tipo de mãe que repreende esse tipo de atividade, acredito que não faz mal nenhum sem exageros.

Lógico que eu prefiro que ela faça atividades que estimulem a criatividade, então, quando tinhamos um tempo mais calmo, colocavamos papel pardo no chão da sala e desenhavamos em todo dele ou colocavamos uma música na televisão e faziamos coreográfica até cansar.

Claro que no meio desses dias que se passaram, houveram estresse, eu perdi bastante cabelo, mas quando tudo corria conforme o meu pranejamento, me sentia uma super mãe!

Ninguém morre por cuidar de criança, e quando eu ficava exausta no fim do dia, acabava dando um prêmio para mim mesma.

Sapatos, blusas, vestidos, brincos? Claro que não.

Uma colher e um grande pote de Nutella.

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Babies a bordo

foto postCom o chegar das férias, muitas pessoas já começaram a programar as viagens e o maior receio das pessoas com filho, é a incógnita de como será um vôo com criança. E essa também era a minha e do Daniel.

Nós estamos aqui na Itália há seis meses e alguns dias, e quase todos os dias que eu converso com a minha mãe pelo facetime, rola aquele momento de: quando é que você vem pro Brasil nos visitar.

Com certeza a minha vontade é dizer que vou o mais breve possível e várias vezes por ano, mas não tenho como. E o primeiro motivo não é o valor do euro, somado com o valor das passagens, mais taxas e todos os outros custos e sim, a viagem e si.

Eu ainda consigo me lembrar tão perfeitamente da minha vinda pra cá, que me arrepio toda vez que penso em pisar em um avião com as crianças.

Quando viemos, nosso trajeto de São Paulo pra Portugal teve seus muitos altos e baixos.

A Olivia na época tinha apenas 3 meses, aquela fase boa, com bastante cólica e refluxos abundantes e lógico, choros e mais choros.

A Sophia tinha acabado de completar 2 anos, e ela sempre foi bem tranquila, de assistir desenho e ficar na dela, mas parece que assim que entrou no avião, virou outra criança.

Por isso fizemos uma mala de mão só com brinquedos, barbies, mordedores, lápis, papel, tudo para ajudar a passar o tempo com bastante interatividade.

Quando o interesse pelos brinquedos acabou, o comissário de bordo até deu uma mão, levando um kit infantil com ursinho de pelúcia, escova de dente e mais algumas besteirinhas.

Os filmes infantis também são um bom passa tempo, mas quando a paciência de uma criança acaba e nada mais no seu acento tem graça, ela deve pensar: acho que vou correr pelo corredor do avião.

E sim, precisamos sair algumas vezes do nosso acento para buscar a Sophia no meio do avião na madrugada.

Pelo menos em vôos longos, as pessoas dormem pesado e usam fone de ouvido, então não tivemos problemas com passageiros.

Quando compramos as passagens, foi um alívio a Olivia não pagar, mas esse mesmo alívio terminou no momento em que a viagem completou 4 horas e ela ficou esse tempo todo no colo e eu só conseguia pensar: ainda tenho mais 6 horas aqui dentro.

Quando chegamos em Portugal, ficamos pouquíssimo tempo, ou talvez eu demorasse tempo demais pra trocar duas fraldas.

Mas no momento em que embarcamos, o piloto avisou de um um pequeno atraso.

E já parou pra pensar como essa palavra é tão aterrorizante?

– ATRASO de menstruação

– ATRASO de comida

– ATRASO do marido para se arrumar

– ATRASO da noiva

– ATRASO do avião

E foi ele anunciar isso no microfone que uma cólica se gerou na barriga da Olivia e ela instantaneamente começou a chorar.

Só que nesse vôo, Portugal / Milão, por mais que seja curto, as pessoas estão cansadas e pelo atraso, estrassadas também.

E eu infelizmente não sou aquelas mães que FODA-SE os outros. Eu sinto vergonha e crio em mim um desconforto incomunal, mas não é pra menos, todos os passageiros se viram pra trás e me olham com cara feia.

Quem consegue se sentir bem ou abstrair, tem meu maior respeito!

Felizmente o comissário de bordo me deixou levantar e acalmá-la um pouco, o que funcionou até o fim da viagem.

Eu não sei como é viajar para longe com apenas um filho, não posso dizer que será muito mais tranquilo, pois cada um tem seu temperamento.

E felizmente ou infelizmente, as minhas têm temperamento forte.

Eu sei que as minhas filhas precisam estar perto do restante da família e vice-versa, mas poucas pessoas passaram por essa situação no ar que nós passamos.

Para quem não tem filho, pode ser um texto engraçado, mas quem tem e lê, acredito que consegue se colocar no lugar.

Geralmente usamos viagens para desestressar, mas infelizmente, sendo mãe, uma viagem é quase uma dor de cabeça antes mesmo de sair de casa.

Hoje, quando conversamos sobre nossa maior dificuldade na vida, os dois concordam que foi viajar com duas crianças.

Sim, mais difícil que contar aos nossos pais da gravidez.

Mas as loucuras estão ai no mundo para serem vividas e aproveitadas e nada melhor do que aproveitar com elas.

Il mio primo Post

Benvenuti!

A maioria das pessoas, ou todas na verdade sabem que eu me mudei para Itália com minha família para ficar pelo menos uns três anos.

E eu escuto e leio de muitas o quão estão felizes com nossa adaptação aqui, como estamos felizes e como estamos tirando tudo de letra.

Só que na verdade, nem no Brasil, muito menos aqui as coisas são tranquilas.

Eu nas redes sociais sou a famosa mãe da família margarina, porque é lógico que eu só irei postar minhas filhas sorrindo, lugares bonitos…

Mas nem sempre um sorriso é espontâneo, muitas vezes eu preciso implorar pro meu marido uma foto, fazer papel de tola no meio da rua para as minhas filhas sorrirem, e nem sempre funciona ainda.

Eu não sou uma super mulher, super mãe e nem super esposa. Não posso ser referência para ninguém e nem quero me achar isso.

Esse site será uma espécie de diário para que um dia, as meninas possam ler tudo que passamos juntas nos mínimos detalhes, pois acredito que as fotos não contam tudo e nem nossa mente lembre de todos os detalhes para o resto da vida.

Não quero que elas leiam e pensem que passei sufoco aqui por conta delas, longe disso, elas alías, são minha alegria diária.

Já aconteceu de pessoas pedirem para eu escrever de comida, e é um pouco complicado, já que eu não sou referência de alimentação também.

Sobreviveria com um kebab tranquilamente, mas eu posso tentar.

Mas de uma coisa eu tenho plena certeza, mudar me fez crescer, amadurecer e ter mais coragem. Fez eu abrir minha cabeça e aumentar a confiança que eu tenho em mim mesma e poder passar toda essa confiança para as minhas filhas.

É claro que não sou forte 100% das vezes, mas também não sei se alguém consegue ser.

Mas eu tento fazer o meu melhor todos os dias.